terça-feira, 22 de janeiro de 2019

CRÍTICA "VICE"


A vida do ex-vice-presidente Dick Cheney (Christian Bale) foi a escolhida pelo diretor Adam McKay para falar de política em seu longa Vice (Backseat), que possui oito indicações ao Oscar deste ano, incluindo melhor filme. E não é para menos.

Uma produção cinematográfica que nos mostra a História real e, por isso, ensina, nunca é de menos, ainda mais quando se trata de questões que afetam o mundo inteiro, como é o caso de Vice. O filme narra a ascensão de Dick Cheney que, de um garoto bêbado e brigão que foi expulso de uma das melhores universidades do mundo (Yale), se tornou o homem mais poderoso da política mundial como vice de George W. Bush.

Bale, que interpreta o político republicano, abraçou o papel de tal forma que conquistou o prêmio de Melhor Ator no Golden Globe, no SAG Awards e no Critics' Choice Awards e é um dos principais favoritos ao Oscar. Ele faz par novamente com Amy Adams (os dois já atuaram juntos em Trapaça), também indicada ao Golden Globe  e ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante.

Não há dúvidas sobre por que Vice é um dos candidatos mais fortes na disputa pela estatueta dourada. É uma grande produção de figurino, maquiagem e atuações impecáveis e, não obstante o tema que aborda (política), é dinâmico e bem construído, apesar de um pouco confuso pelas sequências rápidas de imagens e idas e vindas na linha cronológica. É bom conhecer bem a história antes de assistir.

Não obstante, Adam McKay consegue imprimir bastante personalidade ao filme, colocando certa dose de humor e mostrando os dois lados de Cheney – o de um pai zeloso e o de um político que apoia a tortura, por exemplo -, sempre se mantendo isento de qualquer rotulação e deixando a discussão para quem quiser.

O filme chega às telas no Brasil no dia 31 de janeiro. 

Confira o trailer abaixo!



 Fonte dos materiais: Imagem Filmes


segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

BREXIT - EM BREVE NA HBO


‘BREXIT’, COM BENEDICT CUMBERBATCH, ESTREIA EM 2 DE FEVEREIRO NA HBO

São Paulo, 16 de janeiro de 2019 – A HBO anuncia a estreia do filme Brexit, que mostra os bastidores do plebiscito para definir a saída do Reino Unido da União Europeia, cenário que abalou a política mundial em 2016. O longa, estrelado por Benedict Cumberbatch, estreia em 2 de fevereiro, às 22h, no canal HBO e na HBO GO.

Cumberbatch interpreta Dominic Cummings, o estrategista e conselheiro político britânico que dirigiu a campanha pela saída do Reino Unido da União Europeia - movimento que ficou conhecido como Brexit. O elenco ainda conta com Rory Kinnear no papel de Craig Oliver, diretor de comunicações do Primeiro-ministro David Cameron e Chefe da campanha Remain.

Brexit revela as estratégias dos históricos partidos britânicos para defender suas visões, além de examinar, de perto, a campanha vencedora e o resultado do plebiscito.

O filme tem direção de Toby Haynes e roteiro de James Graham, que também assina como produtor-executivo, junto com Juliette Howell e Tessa Ross. A produção é de Lynn Horsford. Brexit é uma produção da HBO em parceria com a BBC Studios, Channel 4 e House Productions.

Fonte: Agência Febre – Assessoria de imprensa

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

CRÍTICA "O PERFUME"


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A famosa história sobre o assassino de olfato privilegiado, O Perfume, do autor Patrick Süskind, que já possui versão no cinema, agora vira base para a série de TV alemã, de mesmo nome, com produção da Netflix. De forma bastante criativa e louca, a série criada por Eva Kranenburg, Philipp Kadelback e Oliver Berben nos tira do século XVIII – época em que se passa a história original – e nos traz para os dias atuais, quando a polícia investiga uma série de assassinatos ocorridos em circunstância singular e um grupo de amigos que não se via há anos se torna alvo das suspeitas.

Com apenas seis episódios, o que torna a primeira temporada de O Perfume mais instigante é justamente a questão dos assassinatos estarem ligados aos aromas, o que acaba trazendo à tona a teoria sobre o poder do olfato de Jean Baptiste Grenouille – o serial killer da história original de Süskind -, mexendo com a cabeça também dos investigadores da polícia.

A loucura parece estar sempre presente em cada cena, de forma sutil ou escancarada, desencadeada por uma adolescência conturbada, pela frustração, pela obsessão, pela luxúria e, principalmente, pelo olfato apurado ou a falta dele... Por isso, a série é bem mais profunda do que as que os simpatizantes por enredos de suspense e mistério estão acostumados e podem esperar.

Com personagens muito bem construídos - principalmente a de Friederike Becht, que interpreta a detetive Nadja Simon e a de Natalia Belitski, que interpreta Elena – O Perfume é com certeza uma série que vale a pena assistir quando você estiver com vontade de pensar e, já tendo tido um final para lá de interessante, deveria parar por aí... uma segunda temporada poderia estragar o que já ficou muito legal.


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quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

CRÍTICA "O PESO DO PASSADO"

A vingança é um tema recorrente em várias histórias de produções cinematográficas e, por isso, Karyn Kusama, diretora do razoável O Peso do Passado (Destroyer), não mostrou nada de inovador. O que tornaria o filme grandioso, entretanto, seria a atuação de Nicole Kidman.

Ajudada por um incrível trabalho de maquiagem que envelheceu os personagens, já que a narrativa se passa em duas linhas temporais com dezessete anos de diferença, Kidman interpreta Erin Bell, uma detetive do FBI que se infiltra em uma gangue de criminosos mas vê sua missão dar tremendamente errado. Anos mais tarde, bastante destruída pelo álcool e pelo trauma, ela se vê envolvida novamente com as mesmas pessoas. Nada demais.

Entretanto, por mais versátil que a atriz seja (e ela é um dos monstros da intepretação de Hollywood), é estranho ver a classuda Kidman andando em passos instáveis, alcoolizada, pelos cenários da história. Mesmos assim, prende a atenção do espectador do início ao fim.

Sebastian Stan (Capitão América – O Primeiro Vingador') está muito bem no papel de Chris, parceiro e amante de Erin, assim como Tatiana Maslany (The Vow), no papel de Petra, uma das integrantes da gangue, mas são todos coadjuvantes demais, quase sombras que vemos na tela.

O final consegue ser bastante interessante, mas O Peso do Passado não parece ser um filme digno de Oscar. Ele estreia no cinema no dia 17 de janeiro.

Material de imprensa: Assessoria Febre
Distribuidora: Diamond Films

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

CRÍTICA ROMA


Não se enganem. O filme do já consagrado diretor Alfonso Curón, Roma, é para quem gosta de cinema. Só assim para se entender a obra-prima que o mexicano produziu e que merece toda a louvação que se possa dar. Já levou o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro no último domingo (6) e, sinceramente, deveria levar o Oscar também.

A história de Cleo (Yalitza Aparicio), doméstica de uma família de classe média, se passa na Cidade do México no final da década de 1960, começo de 1970, num bairro que se chama Roma, e discorre sobre o dia a dia não só dela, como também da família para que trabalha. E tudo é impecável. Cuarón realmente nos transporta para dentro da narrativa. Veja: a música que se ouve é a do radinho de pilha de Cleo, que ela acompanha cantarolando, ou a do rádio do carro. Os barulhos comuns do cotidiano estão presentes o tempo todo, como o avião voando acima, os latidos dos cachorros, o afiador gritando na rua, a banda que passa tocando. Tudo nos é apresentado de forma sutil, como a corrupção – ouvimos ao fundo, num bairro miserável, uma campanha eleitoral prometendo uma melhora de vida para seus moradores - e a bandidagem – uma manifestação pacífica de estudantes se torna um caos após revoltosos se infiltrarem e começarem uma matança. Até a fotografia em preto e branco parece fazer parte de tudo e completa a obra.

A opção de Cuarón pela câmera estática também nos passa uma noção maior de realidade. É como se estivéssemos ali, parados, observando os acontecimentos, ora no canto da sala de estar, ora no portão da casa... E um surrealismo bem colocado é de impressionar, como o fato de os personagens ricos dirigirem bem mal e não se importarem em degradar seu patrimônio.

Cuarón nos mostra também sua capacidade de construir muito bem a relação entre seus personagens, mostrando o amor de Cleo pelos filhos da patroa, sua amizade com a colega de trabalho, sua inocência em relação aos homens, e como empregada e patroa podem se nivelar em certos aspectos – por exemplo, ambas foram abandonadas por seus homens.

Roma é daqueles filmes que ficam na cabeça durante muito tempo, instigando. Isso é cinema. É sensacional.

sábado, 5 de janeiro de 2019

CRÍTICA TIDELANDS - PRIMEIRA TEMPORADA


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A lenda das sereias é bastante conhecida, seres de extraordinária beleza – pelo menos a primeira vista – que encantam os marinheiros através de seu canto e os atraem para as águas, onde os afogam. Tidelands, o novo seriado da Netflix, retoma essa história, dando a ela um tom mais moderno e incluindo temas como droga, sexo, corrupção e violência, mas tudo no cenário maravilhoso da pequena cidade de pescadores Orphelin Bay.

A narrativa gira em torno de Cal McTear, interpretada pela atriz e modelo australiana Charlotte Best, uma garota que aos 14 anos é encarcerada por matar um policial. Tudo começa quando, após 10 anos, ela sai da prisão, de volta a sua cidade natal, para reencontrar seu passado.

A produção, como já dito, mistura vários temas e conflitos e, em alguns momentos, peca por não tratá-los com a profundidade que mereciam, o que faz as coisas acontecerem muito rápido, muitas vezes sem que a gente perceba... como a readaptação de Cal, agora uma mulher feita, à vida em sociedade, sendo que em algumas horas, somos obrigados a deduzir algumas coisas. O suspense colocado em várias situações, por isso, não se sustenta por muito tempo, como a relação dos pescadores com os misteriosos tidelanders, seres metade humanos, metade sereia que vivem em uma comunidade chamada L’attente, e as tramas da rainha deles, Adrielle (Elsa Pataky).

Entretanto, isso não impede que o seriado seja eletrizante, cativante mesmo. A beleza e sensualidade de Best ajudam se sua atuação peca. O charme e o físico de Marco Pigossi, que interpreta Dylan, o braço direito de Adrielle, o auxiliam na dificuldade com a língua estrangeira e o novo formato de filmagem. E a postura clichê que Pataky dá a sua vilã não retira o crédito que se pode dar a ela na construção do enredo. E nem se fala do último episódio, que termina daquele jeito!

Aguardemos, portanto, pela temporada que está por vir, e esperemos que ela nos surpreenda ainda mais.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

CRÍTICA "A ESPOSA"


É quase impossível que uma obra cinematográfica ou literária escape do clichê. Inevitavelmente ele estará presente, de uma forma ou de outra, sendo que o que muda é a forma com que ele se apresenta. No caso de A Esposa, filme dirigido por Björn Runge e baseado no livro homônimo de Meg Wolitzer, poderíamos nos guiar por aquele que diz “por trás de todo grande homem existe uma grande mulher.”

O enredo gira em torno de uma mulher, Joan (Glenn Close) que abandonou seus sonhos para sustentar os do marido, Joe (Jonathan Pryce). Notadamente talentosa desde a juventude (o que nos é mostrado por meio de flashbacks muito bem colocados ao longo da narrativa), a paixão de Joan pela escrita é constantemente minada, já que na década de 1950 as oportunidades para as mulheres eram pouquíssimas, mesmo no mundo das artes. Assim, ela se esconde atrás de Joe, que era um escritor um tanto quanto medíocre, mas bonito e sedutor, e que vê no dom extraordinário da mulher a chance de se fazer notar no mundo literário.

No entanto, não é só profissionalmente que Joan se submete ao marido, mas também na sua relação com os próprios filhos. O emburrado David, interpretado por Max Irons (de forma bem fraca, diga-se de passagem), transferiu para o pai toda a admiração no seu gosto pela escrita, sem saber que o gênio, na verdade, era a mãe, o que o afeta diretamente.

Se soou clichê para você, não se engane, porque não obstante, A Esposa é um filme sensível que constrói muito bem o caráter sedutor-carismático-sem-vergonha de Joe e passivo-agressivo de Joan, com atuações simplesmente incríveis de seus intérpretes, bem como sua relação como casal e como pais. Encanta pelos detalhes, acerta na trilha sonora, mantém o foco de sua proposta e é coerente no final.

Uma indicação para o Oscar não seria nem um pouco absurda! Vale a pena conferir. O filme estreia dia 10 de janeiro.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

CRÍTICA LÚCIFER - TERCEIRA TEMPORADA


!SPOILER ALERT!

Quando a segunda temporada terminou, os fãs do diabo mais querido de Los Angeles ficaram desesperados. Lúcifer finalmente tinha resolvido contar toda a verdade sobre a sua condição demoníaca para a sua amada detetive Chloe, mas no momento em que toma essa decisão, é sequestrado e acorda horas depois no meio do deserto... com suas asas angelicais e sem o seu rosto demoníaco.

Depois disso, um susto. A Fox anunciou que iria cancelar o seriado, mas a Netflix, em um ato salvador, adquiriu os direitos sobre ele. Por isso, houve um longo hiato até o começo da terceira temporada, no mês passado. E quando Lúcifer voltou, tinha 26 episódios para os fãs aliviados. Mas para quem esperava uma temporada excepcional, se desapontou.

Que Lúcifer quisesse encontrar seu misterioso sequestrador, tudo bem, afinal, há que se existir um enredo, mas o seriado, em vários momentos, se perde em uma série de episódios aleatórios e sem nenhuma necessidade, como aquele em que o ex-marido de Linda (a divertida analista de toda Los Angeles) se torna o foco central, ou o que uma irmã qualquer de Lúcifer aparece como uma fantasminha camarada, “amiga imaginária” de Ella (a engraçadíssima perita forense da delegacia), ou mesmo o último episódio, que não tem absolutamente nada a acrescentar. Todos estes só serviram, na verdade, para encher linguiça.

Outro ponto a se considerar e que deixou os fãs do diabo ansiosos, é que Lúcifer, perdido em seu egocentrismo, pareceu simplesmente esquecer e até mesmo negligenciar Chloe. A relação dos dois era um dos pontos centrais (se não “o” ponto central) da história. Lúcifer chega a ficar chato e Chloe passa até mesmo a olhar para outro homem, o tenente Marcus Pierce, interpretado por Tom Welling, que acaba se tornando um vilão bem interessante ao revelar ser Caim, o primeiro assassino do mundo.

Somente nos episódios finais Lúcifer parece se lembrar de seus sentimentos pela detetive e meio que se declara para ela, e o beijo tão esperado mal acontece só para (é claro...) ser interrompido. Mas tudo bem, pelo menos o clima entre o casal tinha sido restabelecido. E foi aí que veio mais um pisão na bola.

No antepenúltimo episódio, Chloe finalmente vê o rosto demoníaco de seu amado e se dá conta de que tudo o que ele falava e que ela, compreensivelmente, tomava por metáforas, era verdade. Nesse momento, a temporada deveria ter sido interrompida, quando os fãs estivessem roendo as unhas, morrendo de ansiedade pelo começo da temporada seguinte, mas não. A terceira temporada não só continuou, como o episódio seguinte ignorou completa e ostensivamente a descoberta da detetive. Como assim Chloe descobre que Lúcifer realmente é o diabo e, no dia seguinte, acorda como se nada tivesse acontecido? Não faz nenhum sentido.

Por tudo isso e talvez mais um pouco, a terceira temporada pode ser considerada a mais fraca de todas. Resta-nos somente esperar pela quarta, lembrando que esta será original Netflix e, por isso, pode guardar algumas surpresas...

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

CRÍTICA MOGLI - ENTRE DOIS MUNDOS


A famosa história do menino lobo ganhou, recentemente, mais uma versão em Mogli – Entre dois mundos, que não foi bem o que se pode chamar de sucesso. Quem assistiu o desenho animado da Disney, de 1968, sente na hora a diferença principal entre ele e o novo live action da Netflix – o clima sombrio e dramático que o diretor Andy Serkis deu à sua produção.

Em 1968 tínhamos um garoto que se divertia na selva com seus amigos Baloo e Bagheera. Aquele, antes um urso brincalhão e irresponsável, agora se torna um professor velho e rígido, e a pantera, que na animação também era mais sensata, era muito mais leve do que a de agora – um animal que viveu em cativeiro e foi torturado pelos homens antes de voltar à selva e à liberdade. Shere Khan, o tigre, retorna como vilão, mas não é o único, porque os homens assustam tanto os animais quanto o grande felino.

Nem em meio a sua própria espécie Mogli encontra muita felicidade, já que o homem de quem mais se aproxima quando finalmente se integra à vila perto da selva se revela um caçador sem qualquer moral.

Ademais, o fato de o personagem principal não chegar à idade adulta pode parecer, a princípio, muito interessante, mas se formos pensar bem, seria mais adequado que ele crescesse. É que o espírito violento e vingativo que toma conta da criança torna as coisas muito pesadas... especialmente para o público juvenil. Não há alegria nem trilha sonora divertida. Os sentimentos que o cineasta buscou provocar foram outros.